Insulfilm: Proteção ou Exposição ?

Julho 14, 2008 por gregfernandes

Freqüentemente somos induzidos à idéia de que o Insulfilm nos carros nos trazem segurança. Talvez pela mesma sensação que um óculos escuro causa a um pedestre, o sentimento de ficar invisível aos olhos dos outros.

Em um certo caso, um rapaz sofreu um seqüestro-relâmpago. Seu carro, coberto por uma película de insulfilm, ofereceu a segurança perfeita para que os seqüestradores ficassem rodando por algumas horas em meio à ruas movimentadas, sem levantar suspeitas e pouco se importando com os policiais que cruzavam seu caminho.

Se em alguns casos a película torna o carro invisível aos olhos externos, em outras situações ele se torna o grande causador de paradas em Blitz e enquadros desnecessários motivados pela desconfiança policial ao ver um carro, que tem como a intenção não ser visto. Isso pode ser perigoso se somado ao despreparo e abuso da polícia.

No rio, Há dez dias, a polícia foi informada sobre algmas descrições de um veículo suspeito, na qual estava à procura, um Palio Weekend grafite. Deparando-se com um automóvel com as mesmas características descritas e sem a possibilidade de visualizar o interior do carro. Não pensaram suas vezes: mandaram bala.
No carro estava a mãe, seus dois filhos e um bebê de nove meses. Um dos filhos, foi atingido e perdeu à vida.

Claro que o que está em jogo nessa história é a aptididão e o treinamento de policiais, e não o uso do insulfilm. Mas me fez lembrar que sempre olhava, de fora, os carros vedados com insulfilm e me lembravam urnas funerárias. Agora vi a relação.

A história de Vincent Martin – Ídolo dos Rude Boys e inimigo N°1 da polícia Jamaicana tem a vida retratada em Filme

Julho 11, 2008 por gregfernandes

A violência sempre esteve presente na cultura jamaicana. É uma ilusão a idéia de paz que foi criada e enraízada em torno dela. Onde a idéia criada é de muita tranqüilidade e paz, o que nem sempre foi assim. O que diria Vincent Martin, que viria a ser o inimigo número um da policia Jamaicana e um ídolo da população e dos Rude Boys, que era uma turminha que não se interessavam muito por letras de Jah, Peace and Love.

Quando Martin chegou a Kingston, em 1934, a bordo de um pau-de-arara, aos 14 anos de idade, ele não imaginava transformar-se em um dos personagens mais importantes – ainda que por razões nada santas – da história Jamaicana

Martin, Nascido no condado de ST. Parish, em 1942, decidira mudar-se para a capital, como tantos outros jovens, em busca de melhores condições de trabalho. Ele optou, porém, por um atalho perigoso e acabou no mundo do crime, e ainda o glamourizando. Depois de cometer pequenos roubos, nos quais invariavelmente feria sua vítima com armas brancas, e se envolver com a pior escória dos guetos de Kingston – onde ganhou o apelido que o tornaria famoso, “Rhygin” -, ele acabou preso em 1948 e foi condenado, por algumas boas décadas, a ver o sol nascer quadrado na penitenciária geral da Jamaica.

Mas não durou muito o aprisionamento de Rhygin’. Em abril daquele mesmo ano, ele fugiu da penitenciária, dando início a uma série de espetaculares confrontos com a polícia jamaicana.
Exibicionista e arrogante, ele não se preocupou em sumir da cena por um tempo após a fuga. Pelo contrário: em maio, distribuiu fotos suas pelos guetos da cidade. Como um Cowboy do Velho-oeste, Rhygin’ posou com duas pistolas, uma em cada lado da cintura.
Tanta ousadia irritou ainda mais a policia e teve efeito inverso nas ruas, onde Rhygin’ passou a ser encarado como um herói. Seus atos só contribuíram para aumentar essa dupla personalidade. Em setembro, ele foi descoberto pela polícia em um esconderijo num hotel em Hannah Town. Mais uma vez, Rhygin’ escapou da lei ferindo um policial e matando outro.
Reforços chegaram e apenas aumentaram o numero de policiais enganados por Rhygin’. Pior, aumentaram também a lista de suas vítimas, já que outro policial caiu morto ao tentar capturá-lo horas mais tarde. Aquele dia de cão, estrelado por um bandido que parecia ter o corpo fechado, terminou em Spanish Town, onde Rhygin’ atirou em três mulheres, furioso por não encontrar Eric Goldson, homem que o havia enganado antes de ir para a prisão. Uma das feridas era a namorada de Goldson.
depois disso Rhygi
n’ sumiu na fumaça por seis semanas. Durante esse período, os nervos dos policiais estiveram à flor da pele. Não era apenas uma questão de honra prender Rhygin’. Com o passar do tempo, sua captura passou a ser também questão de ordem social. Afinal, crescia a popularidade de Rhygin’ nos guetos, onde volta e meia surgiam pintados de forma provocante: “Rhygin’ esteve por aqui. Mas já se foi”. Por conta disso, foi organizada uma verdadeira caçada humana ao inimigo n°1 da Jamaica. Ou melhor da polícia na Jamaica, porque o povo o via com muita simpatia.

Rhygin’ havia-se escondido em Lime Cay, ilha deserta nos arredores de Port Royal, cidade perto de Kingston. De lá ele pretendia pegar um barco e desaparecer para sempre da ilha, possivelmente rumo a Cuba. Sua sorte, contudo, não chegou à areia. Encontrado e cercado por quase um batalhão inteiro de policiais, Rhygin’, segundo a versão oficial, reagiu à voz de prisão e for morto a tiros. Muitos tiros. Pelo menos duas dezenas de balas foram encontradas no seu corpo.

A notícia correu rápida pela ilha e não demorou muito para que o cemitério de Kingston ficasse cheio de gente, a maioria formada por moradores dos miseráveis bairros de lata, todos dispostos a dar um último adeus àquele sujeito franzino que tinha desafiado as autoridades e tombado orgulhosamente. Disposta a enterrar o criminoso rapidamente, a polícia dispersou a massa com tiros para cima e cassetete para baixo. Chegava ao fim a era Rhygin’.

Mas para os Rude Boys era apenas um começo.

Essa história, verídica, foi retratada no filme “The Harder They Come” de 1971. Protagonizado pelo cantor Jimmy Cliff, que faz o papel de Rhygin’ sob o nome de Ivan. O filme é baseado na vida de Rhygin’, mas com uma mudança no roteiro, onde Ivan é um garoto do campo que é seduzido pelo brilho da cidade grande, onde decide tentar a sorte e é impedido pela sociedade corrupta de chegar ao sucesso prometido. O inconformismo e a vontade de vencer o fazem entrar pelo mundo do crime. É aí que as histórias se misturam, Ivan ganha fama como criminoso, e conseqüentemente passa a fazer sucesso na música e no crime. Não é à toa que o filme virou referência para Rude Boys e amantes da música Jamaicana.

O filme ainda tem números musicais quase inteiros com Toots and The Maytals cantando “Sweet and Dandy”, o próprio Jimmy Cliff cantando a faixa-título entre uma trilha sonora impecável.

Tenho alguma cópias dele, com legendas (português, Inglês e Espanhol, capa impressa, Menu interativo e tudo mais. Ao preço de 10 reais.

O Valor poderá ser depositado no Banco Real e o DVD será enviado por correio.
Interessados enviar e-mail.

gregfer@gmail.com

Texto: Greg Fernandes
Fonte: ALBUQUERQUE, Carlos. O Eterno Verão do Reggae. Editora 34, 1997

Maconha e os seus derivados sobem de preço no mercado internacional.

Julho 10, 2008 por gregfernandes
Não vai demorar muito para a maconha virar commodity


Os preços ao consumidor da erva canábica (maconha, marijuana) e dos seus derivados (haxixe, óleo e “queijo”) sofreram aumentos daordem de 100% no mercado europeu.

A ameaça de o exército libanês invadir o Vale do Bekaa (aos pés do Monte Líbano) para destruir os plantios de maconha e a redução da safra no Marrocos são apontados como causas da subida dos preços. Na América Latina, os grandes produtores já ameaçam de aumento os EUA, seu maior consumidor.

O Marrocos é o maior produtor mundial de maconha e haxixe. Nos vales do Rif e Yebala concentram-se as áreas de plantio, que atingem 200 mil hectares.

Os agricultores marroquinos e as suas famílias dependem da maconha e da resina extraída para a elaboração do haxixe. Por outro lado, o próprio Marrocos tem um pib (produto interno bruto) dependente desse mercado canábico.

O produto marroquino entra na Europa pelo Atlântico e Mediterrâneo. A França é o maior mercado consumidor do haxixe do Marrocos.

Pressões internacionais e repressão governamental causaram uma redução na oferta dos produtos canábicos marroquinos, a gerar protestos de plantadores no vale do Rif e em Yebala.

Como conseqüência da redução da oferta e do permanente aumento da demanda, os preços dispararam na França, Espanha, e Inglaterra, países de elevado consumo.

Na Holanda, onde a maconha pode ser vendida em cafés autorizados, os comerciantes, que realizam importações dos produtos canábicos, subiram os preços em 0,5%. Aqueles que usam o produto para fins terapêuticos (pela lei holandesa, em cada residência podem ser plantados até três pés de maconha) acusam aumento nas sementes, evidentemente negociada, ilegalmente, entre vizinhos.

O segundo fator de aumento tem natureza especulativa. Os agricultores do Vale do Bekaa, grandes produtores de maconha, reuniram-se e ameaçaram pegar em armas para enfrentar o Exército libanês, caso resolva o comando erradicar os plantios de marijuana-maconha.

O temor dos agricultores do Bekaa veio depois do acordo de paz celebrado, por intermediação do comandante do Exército libanês, entre do Hezbollah e as outras facções de poder (cristãos-maronitas, sunitas e drusos). A propósito, o acordo levou à presidência, no final de maio passado e depois de ano e meio de vacância, o general Michel Sleimane, então comandante do Exército.

No vale do Bekaa impera o hezbollah, partido político contrário, pela religião xiita professada, ao consumo de drogas.

Diante da pacificação, ainda que precária, os agricultores temem que o Exército, que não tem força para enfrentar o Hezbollah, possa agora intervir, pela ausência de dissenso com relação ao tema drogas ilícitas, no Bekaa, promovendo erradicações, como já ocorreu num passado distante.

O jornal Le Mond, a respeito de uma possível resistência armada por plantadores de maconha do Vale do Bekaa, acabou de entrevistar o agricultor Ali Hassan. Ele declarou: – “Se não existe mais guerra, o exército virá para destruir os nossos plantios”.

No Bekaa moram 250 mil libaneses. A maconha de exportação movimenta cerca de US$350 milhões por ano. A oferta aumentou, segundo revelou Hassan, depois que as tropas sírias deixaram o Líbano em 2005.

Hassan, sempre consoante entrevista no Lê Mond, disse plantar outros produtos, como batata e tomate. A respeito, frisou que o preço da maconha é imbatível: não necessita de adubação e defensores agrícolas, a lavoura canábica consome pouca água e o intervalo entre os pés não precisa ser superior a 30 centímetros.

Sobre o aumento pelo temor de erradicação pelo Exército libanês, Hassan disse que o preço, neste ano de 2008, subiu para 800 euros o quilo e o dólar já era. Em 2007, para comparar, Hassan informou que o preço era de 450 euros por quilo. Ainda, revelou ter vendido, em 2007, cerca de 15 kg de haxixe e se considera um plantador de batatas e tomates que utiliza apenas uma pequena área para a maconha.

Uma análise da geoestratégica dessemercado ilegal mostra que, em breve, os norte-americanos experimentarão um forte aumento no preço da grama da maconha, pelo efeito cascata. Os EUA recebe maconha princilmente da Colômbia, México, Jamaica, República Domenicana.

Não vai demorar para a maconha virar commodity, a ser negociada em virtuais Bolsas de Mercadorias e Futuros.